30 de novembro de 2010

Grandes Histórias pra Rua Simples

POR: Eduardo Guedes

Você se lembra do Chico Cheese? E do Montana Grill? Já olhou para a luxuosa concessionária AGO – Mercedes? Então você conehce minha rua. Ela chama-se Jornalista Henrique Cordeiro. Está localizada na Barra da Tijuca, na altura do km 1 da Avenida das Américas, entre esta e o Canal de Marapendi, próxima a ponte Lucio Costa, único acesso à praia nas proximidades. Apesar de a Barra ser considerada um bairro construído para o automóvel, esta simples rua tem seus charmes e encantos, é verdade que não conta com nenhum morador ilustre, mas todos são pessoas simples e solidárias.
É uma rua pequena, com apenas 408 metros de extensão e 12 metros de largura incluindo as calçadas, sem saída e poucas edificações. Todas as construções residenciais estão do lado par da rua, uma vez que os terrenos do lado ímpar têm a frente principal para a Avenida das Américas, assim, as calçadas do lado esquerdo quase nunca são utilizadas.
Existem edificados 8 prédios residenciais, da década de 1990, todos com 22 andares, a maioria com 2 blocos, o que torna a rua bastante povoada, para seu curto trecho. Há ainda o Centro Educacional da Lagoa, o que torna o trânsito da pequena rua, caótico no horário de entrada e saída dos alunos.


No nº 180 está um dos acessos à área denominada de “Bosque Marapendi”, que é uma área verde e livre, de uso de todos os edifícios que compõem a Associação Bosque Marapendi.
Esta rua anteriormente era conhecida como Rua C do PAL 29820, e foi reconhecida como “Jornalista Henrique Cordeiro” pelo Decreto Municipal N- 16461 de 03 de fevereiro de 1998, homenageando a personalidade que foi um jornalista paraense, membro do Partido Comunista, integrante da diretoria da ABI e um batalhador político na luta contra a ditadura na década de 1970.
A história mais trágica da Henrique Cordeiro é conhecida nacionalmente e um exemplo clássico da impunidade contra os “poderosos” que impera no país: Em 22 de fevereiro de 1998 madrugada de sábado de carnaval, ocorrem dois grandes estrondos. E cai por terra o edifício Palace II, provocando a morte de oito pessoas, além de deixar 150 famílias desabrigadas. A Construtora SERSAN, empresa em que Sérgio Naya era acionista principal, construiu o edifício e foi acusada pelo Ministério Público por supostamente ter usado material barato e de baixa qualidade na construção do prédio.


Naya, condenado inicialmente pelo crime de desabamento, ficou preso apenas 137 dias. Embora tenha sido condenado a pagar indenização a todas as famílias, protelou ao máximo,e até a sua morte em 2009, algumas permaneciam sem pagamento.
Outras ruas na região da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes também receberam nome de jornalistas famosos, como Ricardo Marinho (Barra), Carlos Castelo Branco e Armando Nogueira (Recreio).

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