30 de novembro de 2010

Rua André Cavalcanti

POR: Juliana Marques Alves


A minha nova rua é essa aí da placa: R André Cavalcanti. E, por mais que cause estranheza, sua escrita é com “i”. Quando li na minha conta de luz, pensei: “puxa, que erro grave!”, mas estou me acostumando com essa ideia. A André Cavalcanti é uma rua enorme começando na Rua do Rezende e terminando em uma das entradas de Santa Teresa. O morador daqui pode ficar meses sem fazer outra coisa a não ser descer e curtir... aqui mesmo!


Vou descrever o que há somente na primeira quadra por ser a mais importante do local (é claro! Eu moro na primeira quadra!!): são dois salões de cabeleireiros, um aviário (local bem antigo, desde os azulejos até as galinhas que esperam ansiosas para virarem um bom prato!), uma relojoaria com artigos antigos, uma loja que tem de tudo bastante conhecida como armarinho e uma papelaria cujo dono tem o atendimento mais familiar que alguém poderia encontrar em uma...papelaria!
Além disso, são três bares “do Peixe” com pesca fresca, cerveja gelada e atendimento bárbaro (principalmente o meu querido “Peixe do Meio”, mais conhecido como Bar do Peixe), uma pizzaria grill – o Dom Maior-, uma tinturaria e lavanderia “das antigas”, um estabelecimento de materiais de construção e outro de reparos e venda de móveis antigos, duas lojas de roupas, uma marcenaria e outra loja de móveis.

Neste pequeno pedaço tem de tudo!

O frango na brasa!!

Acabou? Imagine só?!! Jamais poderia deixar de dizer que ainda há um pet shop com banho e tosa e entregas em domicílio, outro bazar e papelaria com loja de brinquedos, o Centro de Pesquisa do INCA, um restaurante self-service, outro com frango na brasa – o Dom Galeto-, uma vídeo locadora, o pequeno e lotado “Galeto” que vende o filhote na brasa, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio do Rio de Janeiro, uma ótica, mais um restaurante –Dom Cavalcante - que serve um ótimo café da manhã e uma feijoada de primeira e, para finalizar de fato, uma lanchonete “do China” (não poderia faltar o pastelão!!)!.
Esses dois últimos estabelecimentos ficam na esquina (um de cada lado) da “André” com a antiga Rua Mata-Cavalos (época de D João VI, nos anos seguintes a 1808), atualmente Rua do Riachuelo (minha antiga rua!). Segundo alguns cronistas, seu simpático ex-nome foi por ser um caminho cheio de barrancos que cansava muito os animais do local desde o seu começo junto aos Arcos até o seu final na Lagoa da Sentinela, onde começava a estrada de Mata-Porcos, hoje batizada de Rua Frei Caneca. Por aqui, tudo era manguezal, pântano, lago e barro. Será que isso explica um pouco a falta de vazão para as águas pluviais? O bairro é muito bom... sem chuva!
“Quando não tinham ainda sido aterrados os manguezais para que D. João VI mais facilmente viajasse entre o Paço da cidade e São Cristóvão, era do Caminho de Mata-Cavalos que os cariocas mais se utilizavam para chegar à zona norte e às estradas que levavam ao interior do Brasil – Colônia”. E mais: “(...) A história da Rua do Riachuelo está de tal maneira ligada à de Santa Teresa, que é possível dizer precisamente que o morro tem esse nome por acontecimentos em sua extensão”.

E na esquina do "lado de lá..."

Puxa! O comércio é tão farto na primeira quadra da André que quase me esqueço do “outro lado”: há um Bob’s na esquina! Pois é! E “lá pra lá” tem escola municipal, lava - rápido, venda de gelo, bares e até uma boate GLS!

 O começo do outro quarteirão preservou o estilo colonial

 Rua André Cavalcanti até a subida para Santa Teresa

Ainda bem perto da André (uma quadra acima, em frente ao atual mercado Mundial), está a Rua Monte Alegre (antes Visconde de Monte Alegre, em homenagem ao jornalista, político e Primeiro Ministro Costa Carvalho, conhecido em Mauá por suas primeiras iniciativas progressistas) que tinha quase na esquina com a do Riachuelo, uma cachoeira corrente onde o povo podia tomar banhos frios a duzentos réis.


Era em uma chácara grande que se tornou famosa e talvez tenha sido a de José Antonio Alves do Souto, onde havia um pequeno jardim zoológico – o “jardim zoológico do Souto”. 
 

E falando um pouco mais sobre as redondezas, vou focar a rua que dá nome ao bairro. Até tirei uma foto melhor cujo nome da avenida aparece sem faltar qualquer letra, mas escolhi essa para ilustrar o ar bucólico do local. Em meio a selva de pedras na qual se transformou a Riachuelo, existe a Av Nossa Senhora de Fátima, uma rua sem saída e que de avenida, só tem o nome.


Nela, o comércio é bem gastronômico e cachaçal (neologismo, leitores!), já que até a padaria do local vende cerveja e, por sinal, muito gelada com um atendimento excelente. Há também um colégio municipal, uma loja de móveis e roupas para crianças, uma sorveteria simples e aconchegante, agências do banco Itaú e Banco do Brasil, uma loja onde vendem os sapatos mais caros da Terra e a multinacional Elevadores Atlas Schindler. Chegando próximo à Rua Riachuelo, encontramos o restaurante Arábia, a loja de R$ 1,99, o Sabor Perfeito – a pizzaria “bamba” da região e o melhor lugar para comer bolo caseiro-, a Glup Glup – sorveteria e lanchonete que passou por uma reforma e ficou com “cara de Mundo Verde” e, finalmente, o Big Bi, aberto vinte e quatro horas – exceto às segundas. 
 
Essa rua sem saída possui, lá no final, uma praça (Praça Presidente Aguirre Cerda) com um santuário de Nossa Senhora de Fátima. Seus primeiros moradores eram imigrantes portugueses que aproveitaram o fato do local ser próximo ao centro e via de acesso às zonas norte e sul. Morar no bairro é caro e tem fila de espera tanto para alugar quanto comprar. Dizem que Grande Otelo, Camen Miranda, Tarcísio Meira, Agnaldo Timóteo e até o Silvio Santos já moraram por ali, mas eu, como fonte de informação, afirmo somente a presença da ilustre Roberta Close.



Mas... o que diria o grande D. João VI ao passar por essa nova Mata-Cavalos?


 

Ao invés de mata, mangue e sacodes na carruagem devido ao terreno acidentado, ele encontraria um monte de prédio, trânsito pesado, supermercados como o Multimarket, Extra e Mundial, Casa Show, Cacau Show, Boticário, Casa & Vídeo, Americana Express, três bares com mesas ótimas para jogar uma sinuca (a melhor fica bem perto do Big Bi!!) e duas baladas ótimas: Lapa 40° e Democráticos (ah, e láááá pra trás, perto da antiga Mata-Porcos, hoje Frei Caneca, o jornal O Dia!).


Tanta história contada, mas... e essa tal de André Cavalcanti? Devo dizer que não faço ideia do porquê foi aberta, qual era seu nome, o que tinha aqui antes e por que foi feita tal homenagem. Descobri a Mata-Cavalos, Mata-Porcos, as histórias da Carlos Sampaio e da pequenina Tadeu Kosciusko, R do Rezende, Inválidos, Mem de Sá, até mesmo o antigo nome de Santa Teresa, que era morro do Desterro e uma curiosidade sobre a Rua Buenos Aires, no centro, que antes era Rua do Hospício porque esse nome, diferente do sentido atual, era dado aos lugares que recebiam viajantes: os albergues.
Soube, também, que o Largo do Machado tem esse nome porque havia um machado fincado em um açougue do local, Santa Bárbara é padroeira dos trabalhadores com explosivos e o nome do túnel foi em homenagem a santa e aos mortos em sua construção, e que o Mengão já teve sua sede onde ficava o Paissandu Cricket Clube (final do Oitocentismo), final da Paissandu, em frente ao Palácio Guanabara.
Mas a André...Tivemos um prefeito chamado Amaro Cavalcanti. Seria parente do André? O Padre Diogo de Feijó derrotou, em 1835, o nortista Holanda Cavalcanti nas eleições para a regência. E esse Cavalcanti se tornou, mais tarde, Visconde de Albuquerque. Seria este da família do homenageado na minha rua? Ou seria o próprio, já que encontrei algumas frases falando sobre um André Cavalcanti d'Albuquerque formado em Direito no Recife onde foi promotor e, mais tarde, eleito deputado, nomeado juiz do Distrito Federal, ministro do Supremo Tribunal Federal e, em 1924, presidente do STF? Não, não. Acho que não. Conflito de datas!
Bem, como futura jornalista, seguirei pesquisando e aceitando qualquer tipo de informação sobre o caso da Rua André Cavalcanti! Qualquer ajuda será bem-vinda e, até a próxima!


Bibliografia
www.wikipedia.com.br
BRASIL GERSON, História das Ruas do Rio
4ªedição – editora Brasiliana

4 comentários:

  1. Muito bom,amiga. Definitivamente já sei qual é o seu talento.É jornalismo na veia com certeza. rsrsrsrssrs......

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  2. De fato, Carmem Miranda morou de 1931 a 1934 no número 229 da Rua André Cavalcanti. A casa fica desocupada com uma placa indicando a passagem da pequena notável por ali.

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  3. oi amiga eu li o texto e eu e minha mãe recordamos quando ai moravamos eu nasci ai em 75 maternidade da praça 15 centro morei em santa tereza rua paula matos edificio atlas queria que por favor você postase fotos e falace mais sobre essa rua pois vim dai com 10 anos e não recordo muito desde já lhe agradeço fique com Deus

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