30 de novembro de 2010

As Ruas Dulce, General Marcelino e Professor Lafaiete Cortes


POR: Thyana Azevedo

As três ruas  formam um “Oasis” na Tijuca, mas, pra encontrar o caminho, é necessário um mapa ou alguma explicação. A entrada da Rua Dulce acontece a partir da Rua Haddock Lobo. Como é uma rua fechada, o caminho é passar pela Rua General Marcelino e chegar á Rua Professor Lafaiete Cortes que termina na São Francisco Xavier.  Ufa! São bem pequenas e escondidas, e tomara que fique assim... É a torcida de alguns moradores como o professor Jorge que mora na Rua  Dulce há 25 anos. O professor conta que durante algum tempo as ruas foram pontos de transgressores, mas com a forte ação dos moradores voltou a ser um local tranqüilo.
As construções são antigas, dos anos 1940, alguns imóveis tombados, o que garante as características de cidade do interior.


Nos anos 1960 e 1970, era onde aconteciam às melhores festas juninas da Tijuca, segundo a moradora Joana mora ali  há pouco tempo, mas escuta as histórias contadas pelos antigos moradores. Mas nem só de lembranças dos moradores é contada a história das três ruas: o cantor e compositor, Luciano Bahia, que já morou na Tijuca, se lembra de ter dado seu primeiro beijo na pracinha.

Quem não mora por ali, pode achar que todas as ruas são a Rua Dulce porque não ha placas de identificação de fácil visualização que caracterizem as outras duas.

Moradores desconfiados e reservados, crianças que ainda podem brincar na rua, na praça, idosos e jovens casais dividem o ambiente silencioso e arborizado. A tranqüilidade conta com dois apoios: a proximidade ao Colégio Militar e a Pedra da Babilônia, que funciona como um grande muro isolando ainda mais o local.


A Rua Dulce e outras senhoras


A Historiadora Lili Rose Cruz Oliveira, autora dos livros Tijuca de Rua em Rua, Vila Isabel de Rua em Rua e O Vale das Laranjeiras, pesquisou diversas ruas na Grande Tijuca com nomes de mulheres e procurou saber quem são elas, suas histórias e o porque dos seus nomes serem, hoje, nomes de ruas. Segue abaixo texto escrito por Lili Rose encontrado no site
http://www.tijuca-rj.com.br.
"Quando comecei minha pesquisa para o livro Tijuca de Rua em Rua, não esperava ter tanta dificuldade em escrever sobre a vida das mulheres aqui homenageadas, com destaque para as antigas moradoras e personalidades ilustres da sociedade da época. Ao final do trabalho, pela inexistência de documentação disponível, não fui bem sucedida em apenas três casos: Travessa Matilde (Rua Bom Pastor – sem saída), Rua Dulce (Rua Almirante Cochrane – sem saída) e Rua Jocelina Fernandes (Rua Dezoito de Outubro – Rua Paulino Nogueira). Um resumo do que aprendi segue nas linhas abaixo.

Alice Maia (Travessa) foi esposa de Joaquim Leal Maia, proprietário de uma grande  chácara, no final do século XIX, na área que hoje corresponde ao Tijuca Tênis Clube.

Já Alzira Brandão (Rua) foi moradora no local onde fica a rua que a homenageia.

Por sua vez, a Rua Santa Carolina foi uma homenagem, realizada no século XIX, do morador que abriu a rua, José Raphael de Azevedo Junior, à sua mãe, Dona Maria Carolina.

Em 1911, o Dr. João Victorio Pareto Junior (1880-1937) abriu algumas ruas em suas terras, dentre elas a Rua Santa Sofia, em homenagem à sua avó, Sophia Augusta de Vasconcellos Caldas. Tal senhora nasceu em 17 de setembro de 1860, na cidade de Miranda, Mato Grosso, filha do Dr. José Caldas e de Guilhermina Maria da Conceição de Vasconcellos, vindo a falecer no Rio de Janeiro, em 01 de fevereiro de 1934. Além disso, o Dr. Pareto homenageou sua esposa, Dona Hilda, com a praça de mesmo nome. Hilda do Valle de Carvalho nasceu em Cantagalo, no Estado do Rio de Janeiro, em 14 de outubro de 1903 e faleceu no dia 13 de julho de 1983.

O português José Rufino Vasconcelos, proprietário de uma chácara na Rua Conde de Bonfim, perenizou a memória da sua esposa na Rua Dona Delfina. Diz a literatura que nessa chácara se introduziu o cultivo das rosas Paul Néron e Príncipe Negro no Brasil.

Marciliana Lacerda (Travessa), apesar de ter vivido no bairro de Vila Isabel, onde se destacou pela atuação em obras assistenciais, foi homenageada numa pequena via que começa na Rua José Higino. Outra pessoa que se destacou pela ajuda aos necessitados foi Palmira Gonçalves Maia (Rua), que participou ativamente da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro. Sua intensa ação junto às comunidades carentes tornou-a muito popular nos bairros da Tijuca, São Cristovão, Catumbi e Vila Isabel.

No Alto da Boa Vista, foram homenageadas as moradoras Dona Rita Costa (Rua) e Dona Castorina (Estrada). Dona Castorina de Oliveira Castro foi mãe de José Mendes de Oliveira Castro, o Barão de Oliveira Castro, um abastado negociante e capitalista, falecido no dia 10 de Janeiro de 1896.

Carmela Dutra (Rua) não morou na Tijuca, mas tornou-se conhecida por ser esposa do Presidente da República Eurico Gaspar Dutra. Nascida no Rio de Janeiro, em 17 de setembro de 1884, Carmela casou-se com o tenente Dutra, em 1914, já viúva e mãe de dois filhos, vindo a falecer em 1949.

A Rua Maria Amália começa na José Higino e termina na França Junior. Maria Amália Vaz de Carvalho nasceu em 01 de fevereiro de 1847 e faleceu em 23 de abril de 1921.

Autodidata e apaixonada por livros, essa portuguesa de Lisboa foi escritora, tradutora, jornalista, poetisa, educadora e feminista. Colaborou com diversos jornais em Portugal e no Rio de Janeiro (aqui durante mais de 30 anos). Casou-se com o poeta Antônio Cândido Gonçalves Crespo, também homenageado com nome de rua no bairro. É uma pena que as ruas estejam tão distantes uma da outra, pois o casal era muito apaixonado…"

Fonte:
http://www.tijuca-rj.com.br/v02/colunas/uma-viagem-no-tempo/mulheres-
homenageadas-com-nome-de-rua-na-grande-tijuca/

Nenhum comentário:

Postar um comentário